quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um salve à musicalidade cristã!




Resolvi depois de muito tempo voltar a postar aqui. Realmente, foi num clima de indignação que me propus a sentar e teclar as palavras, termos e expressões que seguem no decorrer desse texto. A indignação de ver como ideologias e verdades, podem ser deturpadas e manipuladas com um punhado de retórica e uma pitada de domínio de conteúdo. Procurando bandas de rock cristão para ver uns clipes e ouvir algumas músicas, me deparo com um site que tem um artigo intitulado: “Rock Religioso - A Música do Diabo na Igreja!!”. Quem me conhece sabe que não resisto a ler e debater coisas extremistas como essas que as pessoas se prontificam a colocar na internet. Ao passar os olhos sobre o texto, fiquei abismado em como as pessoas podem deturpar trechos bíblicos e manipular informações ao bel-prazer para induzir os outros a pensamentos e ideais claramente errôneos. No fim deste texto, colo o link para quem quiser ver e avaliar com os próprios olhos os textos em tal site.

Começando a dissertar sobre tal assunto, gostaria de pontuar algumas coisas para deixar clara minha posição desde o início. Sou cristão, na batalha da conversão diária de todos, sou amante de musica (especialmente estilos como rock) e uma pessoa puta com quem fala coisas e não abre espaço para debate (como o site em questão). Indo realmente ao ponto, gostaria de iniciar falando que acho um absurdo alguém se mover a falar que o rock cristão adotado por muitas igrejas traz o Diabo para dentro delas e profana o ambiente sagrado. Só pra começo de conversa, não acredito que a igreja (estrutura de cimento e pedra) seja algo sagrado, pois como a bíblia diz, NÓS somos a igreja de Cristo. A palavra também diz que quer façamos seja o que for, que seja para enaltecer a Deus. Se fossemos atribuir a história e as atribuições preconceituosas do mundo sobre as coisas, também não haveria na igreja teatro, nem filmes, nem nada assim.

Sejamos francos, as harmonias e melodias e seus encaixes são grande prova Divina. Deus valoriza a música, e os levitas são provas vivas disso. O que difere uma harmonia santa e uma profana? Então um A(lá) seguido de D(ré) é santo, mas se colocar um Em(Mi menor).. ihh, ai é do diabo. Será que é a bateria com uma pegada mais rápida ou mais lenta? Deus fica lá em cima com um metrônomo e se acelerar o ritmo lasca tudo. Quem somos nós para acusarmos uns aos outros, quando a própria bíblia diz que o Diabo é quem aponta, quem acusa. Onde está o limiar que separa um "estilo musical santo" e um "profano"? Eu diria que na mensagem, na idéia, na motivação, na letra.

A partir do momento que podemos transmitir uma boa mensagem, evangelizar, trazer cristo para determinados âmbitos e pessoas, porque se limitar? Diga-me em que Deus se desagradaria disso? Das notas com quinta, os solos e a pegada rápida da bateria? Como ouvi num testemunho uma vez: “Se você não se agrada do meu cantar, é um direito seu, mas ele sobe mesmo assim”. Na própria bíblia diz que não seremos salvos por nossas obras, mas por nossas motivações e intenções, até porque como diria meu sogro “Ninguém é tão bonzinho que mereça o céu”. Concordo que não devemos causar, de forma alguma, escânda-lo, mas falar que por ser rock, automaticamente é do diabo? Faça-me o favor. Sejamos francos, nos colocar num patamar superior (coisa que Cristo condena), acusarmos, apontarmos e tudo isso sem nem ao menos refletir no que estamos fazendo, é no mínimo ignorância. Todos são iguais, irmãos e o mais importante, todos somos pecadores. Acho que está na hora de nos preocuparmos mais em nutrir amor, perdão e compaixão por nossos irmãos que em falar que "esse ou aquele" ritmo é do demônio. Um salve para a musicalidade cristã, principalmente em sua essência multiforme!

Link: “Rock Religioso - A Música do Diabo na Igreja!!” - http://www.espada.eti.br/rock1.asp

“Antes da ruína eleva-se o coração do homem; e adiante da honra vai a humildade. Responder sem ouvir é estultícia e vergonha.” Provérbios 18:12-13:

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Educação?


Em devaneios noturnos oriundos de experiências vivenciadas nesse nosso querido contexto social brasileiro, me dispus a pensar ontem em como anda a educação moral em nosso país. Vejam bem, não falo de nosso ensino escolar fundamental e médio (que também não andam dignos de muitos elogios), mas da necessidade aparente de uma formação moral e cidadã para os jovens brasileiros... URGENTEMENTE.

Enquanto nosso governo se preocupa em mudar a cifra e o número de zeros que são investidos na educação, pensando que isso vai melhorar a qualidade de nosso ensino básico, estamos formando, em maioria, profissionais funcionais que nada mais fazem do que trabalhar 18 horas por dia para garantir um sustento mínimo para sua familia. Pessoas que podem até ter formação acadêmica, mas as vezes não tem o entendimento de seus direitos como ser humano e nem a necessidade de ter respeito consigo mesma, a noção de que merece ser respeitada.

Os jovens, outrora responsáveis pelas grandes mudanças políticas de nosso país, têm se tornado passivos em relação a toda a sujeira moral que anda se mostrando por ai, as vezes aparentam não ter noção nem do respeito que lhe é de direito, se submetendo a situações absurdamente humilhantes e enfrentando isso com um grau de normalidade e simplicidade que chega a ser assustador. Como podemos cobrar bons políticos governando o estado quando formamos (em sua maioria) apenas pessoas com conhecimentos acadêmicos (e olhe lá) acerca do sistema político? Não se trabalha na formação moral das pessoas que vão estar com a faca e o queijo na mão, mudando "ao bel-prazer" nossas vidas.

Acho que já é hora de largar a postura de que a moral e a cidadania são coisas intrínsecas, inatas, e que não precisam ser trabalhadas ou melhoradas. Precisamos de uma sociedade que busque reestruturar moralmente os princípios que há muito têm sido esquecidos, os bons costumes e a ética tanto no trabalho quanto nas relações, sejam de qual espécie forem. Só sairemos dessa lama de preconceitos e desrespeito quando começarmos a pensar que a base para todas as boas relações se pauta no comportamento moral, correto, ético para com o próximo e si mesmo.

Tão urgente quanto investir milhões na educação básica do "apreenda e reproduza", se faz necessária a reestruturação da escola e da família, de forma a formar novamente seres humanos, não máquinas funcionais que perdem a cada dia mais sua noção de respeito (para com o próximo e si mesmo) em função de altos saldos bancários no final do mês. Mais do que nunca precisamos pensar no futuro de nossas crianças e em como estamos preparando o terreno pra elas, afinal de contas queremos nossas crianças num mundo onde traição, prostituição, drogas, violência e corrupção sejam noticias diárias tão massantes a ponto de se tornarem "normais"? Acredito que existam pessoas que não queiram.

Faço minhas as palavras de Martin Luther King: "O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."

Abçs

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Do the evolution!


Hoje pensando em qualidade musical, me flagrei perdido em meio a certas perguntas que gostaria de compartilhar com vocês, como por exemplo, se que existe um senso-comum em torno do tema "qualidade musical"? O motivo do meu questionamento é que, apesar dos milhões de gêneros musicais já criados e os que estão se constituindo, existem tipos musicais que são considerados bons (musicalmente falando) por uma esmagadora maioria, que pensa assim mesmo não apreciando o estilo. É aquela velha historia do "é bom sim, mas eu não sou muito chegado". Um bom exemplo que podemos utilizar para ilustrar tal teoria é a própria MPB. Embora muitos não gostem, ou prefiram outros ritmos, a maioria da população brasileira reconhece sua qualidade musical, mesmo que não seja de sua preferência.

Assim como a MPB, o jazz, blues e a música clássica também podem ser colocados nessa posição. O que eu me pergunto é: Porque isso? Se não é de meu agrado, como reconheço sua qualidade? Ou ainda mais, se reconheço sua qualidade, porque não é de meu agrado? Não pensem que encontrarão respostas para tais perguntas nesse post, apenas trago o tema para reflexão. Será que existe dentro de cada um de nós, um senso que nos aponta para qualidades musicais de maior e menor nível? Se aplicando também em relação à letra? Se existe, porque vivemos uma era onde, salvo exceções, o erotismo e a banalidade tem tido enfoque principal e a musicalidade vem se perdendo?

Acho que a musica vem se vinculando mais a experiência que ela propicia do que a sua essência propriamente dita. Sendo assim, podemos associar shows de, por exemplo, Swingueira (com ritmos e notas simples, e letras carregadas de um erotismo exarcebado) com bebidas, farra e diversão, tornando esse estilo musical "agradável" ou "massa". Foi-se a época em que era comum visitar uma ópera ou o show de uma orquestra, para fechar os olhos e sentir-se em outro mundo, onde a essência propiciava a experiência. Hoje em dia a experiência constitui a essência, e derivado disso vemos uma enxurrada de bandas e artistas de uma semana.

Acredito que essa seja uma reflexão válida, principalmente lembrando a influência que as musicas (em harmonia/melodia e letra) tem sobre a sociedade, seus objetivos e como ela pode ser um agente motivador para movimentos sociais. Se continuarmos do jeito que vamos, o unico movimento social que os novos estilos musicais motivarão será a revolução dos sem roupa, "por um mundo com mais sexo e menos pudor".

Almejo viver em uma sociedade que busque preparar um terreno musical melhor para nossos filhos, não que privilegie estilos em particular, mas que trabalhe em cima dos objetivos e influências, o que nossa musica traz, o que ela transmite e no que ela tende a influenciar. Quem sabe assim voltamos a ter grandes gênios que mobilizem o mundo como a Terra já não vê há algum tempo, como um pianista quase surdo que mudou a historia da musica clássica ou aqueles grandes poetas musicais que precisaram ser "exilados" tamanha influencia de suas letras no espirito revolucionário do povo.

Acho que precisamos de uma revolução musical. =)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Um grito silencioso...


Me encontro escrevendo nesse momento graças à indignação tremenda que urge dentro de mim em função de alguns acontecimentos. Fico impressionado com a força que os pensamentos relativistas têm exercido sobre os julgamentos morais da sociedade vigente. Crimes hediondos agora exigem que se coloque a vítima em posição de culpada, graças aos possíveis “facilitadores” proporcionados por ela para que tal crime ocorresse.

É um absurdo imaginar que estamos começando a adotar uma perspectiva explicativa para todos os nossos atos imorais e cruéis, como se estivéssemos naturalizando os nossos instintos mais negativos, nossas origens que a própria genética reprimia para própria proteção da espécie, para a preservação da mesma. Não podemos deixar que a violência, a vulgaridade, a gravidade dos nossos atos mais “animalescos” se tornem algo tão cotidiano a ponto de ser visto com normalidade.

Nossa prepotência, nossa tendência a achar que nossos princípios são sempre melhores ou mais ponderados que os dos outros, a intolerância às diferenças e o preconceito são coisas que estão encaminhando as relações interpessoais para situações de agressividade extrema. Vivemos num século, como já dito em vários lugares, dominado pela depressão, pela perversão, por preconceitos e guerras. Se as coisas não começarem a serem julgadas a luz de uma moralidade ética que vise realmente abranger o bem estar de todos, estamos realmente próximos de nossa extinção.

Se prezamos realmente o mundo em que vivemos, nossas famílias e a nós mesmos, a situação exige que mudemos nossos posicionamentos apáticos em relação a essas coisas horríveis que acompanhamos nos telejornais enquanto almoçamos. Se não nos posicionarmos e ficarmos assistindo esse show de horrores, onde as mortes são tão cotidianas ao ponto de não assustar, onde os estupros são causados pela “abertura de brecha” da vítima, onde o preconceito é decorrente do livro sagrado... Se não fizermos nada estamos condenando a humanidade a um estado de caos onde a violência será a porta mais fácil para a resolução de todos os problemas, ai caros amigos... Sejam bem vindos as verdadeiras sociedades primitivas.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"Educação para a vida deveria incluir aulas de solidão." (Mauro Santayama)


Pra ser sincero sempre corri de temas que tivessem a ver com sentimentos sabem? Sempre pensei que se fosse enveredar por esse caminho faria um diário adolescente online e não ajudaria nada nem ninguém, não instigaria o pensamento de ninguém, nem tampouco suas ações em prol de mudanças. Só que, de um tempo para cá, venho percebendo que são justamente as emoções que nos tornam tão humanos, nos diferenciam dos outros animais e servem como energia motivadora para o pensamento e ações.

Sempre considerei babaquice todas aquelas letras e textos melancólicos que tanto insistiam em bater na mesma tecla: O amor. Entenda por amor suas diversas manifestações e concepções, amor como paixão, como sentimento unitário, como sentimento multiforme, enfim. E a vida vem me guiando em direções que tem mudado essa minha concepção. O amor, como uma emoção/sentimento, tem a força de perpassar por vezes a própria razão, uma vez que nossa razão está tão submissa a nossa sociedade, nossa cultura, nossa religião, as dificuldades que ela sempre encontra pra fazer tudo... Nosso corpo é uma máquina tão perfeita que, acredito eu, seja regida por um princípio de homeostase emocional/reflexiva. É... sei que é uma frase complexa, mas acredito que esse enfrentamento dos âmbitos emocionais com os racionais busque a realização dos nossos mais íntimos desejos mediante a uma sociedade que sempre arruma um jeito de reprimi-los, acredito que seja uma busca pela harmonia interna.

Todos sabem o quanto o mundo em que vivemos e o sistema que nos rege preza pela objetividade, facilidade, comodidade, assertividade... Paradoxal quando se pensa que a própria vida é uma dinâmica inconstante e que sofre mutações invariavelmente, mutações essas que nem mesmo a razão pode explicar. Sempre fui amante da filosofia por prezar a razão que nela é vigente, mas hoje entendo o quão necessária se faz a presença do amor para que não nos tornemos máquinas em busca de uma felicidade que nos é imposta pelos pensamentos societais tão induzidos. Se pudesse hoje ter uma conversinha com o Cara lá De Cima, agradeceria mais uma vez que tenha sido tão perfeito na criação de sua obra. O livre arbítrio está ai, mas ele nos dá também um instrumento que nos guia para a felicidade (o coração) e um que o ensina como fazê-lo (a mente). Acho que preciso de umas aulas de fisiologia transcendental...


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Entrelinhas...


 



Gostaria de compartilhar com vocês mais algumas divagações solitárias que me entram pelos ouvidos como as águas de março que invadem o verão de Tom Jobim. Confesso que não acho de bom tom generalizar, mas não pude deixar de notar as diferenças claramente observáveis em determinados aspectos entre homens e mulheres, como a escrita.



A sutileza das palavras, a tamanha delicadeza que chega a ser lida com um leve aroma de flores e uma inabalável carga emotiva que pode nos fazer rir e chorar, transcorrendo apenas algumas linhas de um curto texto... Sim, as mulheres são poetisas por essência.

Um tom mais rígido, exacerbado de razão e cheio de si, sentimentos que perpassam por nossa leitura assim como fortes ventos que saem direto de um coração afetuoso, embora maquiados pela acinzentada honra masculina... Os homens são sim, poetas por essência.

Cada qual à seu modo, mas ambos os gêneros possuem a capacidade de transpor em palavras o que sentem, seja de uma forma mais delicada ou de uma forma mais rígida, mas eles perpassam seus sentimentos sob a carga cultural e os super-egos sociais, por sinal de uma sociedade que nos limita a simples regras de gramática e de semântica para falar de sentimentos, uma sociedade que em sua maioria não sabe ver além das palavras, e acha que os poetas são poetas por que escrevem... Não, os poetas não são poetas por que escrevem, os poetas são poetas porque sentem! Mais que isso, são poetas porque conseguem fazer com que os dispostos a sentir as entrelinhas de seus símbolos gramático-semânticos possam compreender a amplitude de seus pensamentos e emoções... Emoções humanas e, por conseguinte partilhadas por muitos outros poetas e poetisas tão emudecidos.

Quem sabe os homens e as mulheres não escrevam de forma tão diferente, mas nós que ainda não aprendemos a olhar as entrelinhas de toda a carga de vida daquele (a) poeta/poetisa, daquele ser que se faz vivo e faz-se vida, seja vivendo, seja escrevendo, mas de toda a forma contribuindo para um mundo com menos palavras e mais sentimentos.

“F.”

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Metáforas Agrícolas: As duas metades da laranja


Engraçado como todos os acontecimentos sócio-culturais de nossa vida influenciam em como vemos as coisas. Interessante que as mesmas coisas depois de certo tempo, de certas experiências passam a nos causar novas sensações, novas interpretações... Os mesmos filmes, quando vistos novamente, nos passam novas lições, novas concepções e novas idéias de como podemos mudar nossas vidas. Foi o que aconteceu comigo hoje. Gostaria de partilhar com vocês, admiráveis leitores, a minha fascinação diante de um filme de amor que assisti nesse domingo de tarde cinza, aqui embaixo de meus lençóis: Don Juan DeMarco. Em reflexão, me questionei sobre três coisas: 1°) o modo como vemos as coisas, 2°) o que para nós é normal e 3°) o quão difícil pode ser buscar o amor.

A respeito do primeiro questionamento, pensei em por que sempre vemos as experiências que não correspondem com o que esperávamos de forma tão negativa, porque ansiamos por um realismo tão forte a ponto de negativizar tudo que não ocorra de acordo com nossa vontade, esquecendo do emaranhando de fatos que puxam outros fatos e de como essas experiências podem se tornar coisas boas futuramente. Mesclando as perguntas devido a sua enorme proximidade, também comecei a pensar o porquê temos que nos limitar a essa via estritamente próxima do real que nos obriga a agir de acordo com as expectativas dos outros, dessa sociedade tão derrotista. Quando tentamos fugir disso, ter consciência da realidade porém de um ponto de vista diferente, de um novo ângulo, com novos valores e princípios somos tachados, excluídos, rejeitados, sofremos preconceitos e as vezes até enclausurados (como os ditos “loucos”, que as vezes de loucos não tem nada).

Impressionante como existe uma tentativa de uniformizar a sociedade para padrões que estejam sob controle e que possam ser previsíveis e “entendíveis” por todos, mesmo que tenhamos consciência do universo subjetivo diferencial que afeta a todos nós. Como podemos falar de um relacionamento AMORoso, em que ambas as partes tem suas visões do que é o amor, e antes de respeitar a visão do outro, tendemos a querer apenas que nossa visão seja satisfeita, que o que PARA NÓS é amor seja efetivado, demonstrado, explicitado... Esquecendo que aquilo que queremos pode não ser amor para nosso companheiro(a). Somos seres diferentes com um universo de concepções diferentes, inclusive da concepção essencial de nossa alma, o amor. Acho que antes que falemos sobre mentiras de nosso parceiro, que ele não nos amava, ou fulano não amava cicrano, comecemos a pensar se o amor é para todos o que é para nós. Será que temos o direito de exigir de alguém isso? Será que temos obrigação de rejeitar nossa visão e nos entregar à do outro? É complicado. Duas metades da laranja? Antes uma metade de laranja e outra de limão, talvez o amor consista no respeito às diferenças e no avanço das metáforas agrícolas ;).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Fim...




Diante de determinada notícia essa semana, me peguei pensando o quão frágil é nossa vida, nossa humilde existência.
Temos mania de pensar que a morte espera, que nossos planos são coisas que estão lá e só dependem de nossos esforços pra se concretizarem... E na busca de tais planos deixamos coisas “simples” de lado, coisas corriqueiras, mas que se pudéssemos imaginar nossa partida para o dia seguinte, ganhariam enorme importância.
Deixamos intrigas e brigas, por menores que às vezes sejam, nos afastem das pessoas que amamos. Organizamos nosso tempo e deixamos de lado, pra depois, as coisas banais que tanto temos vontade de fazer, porque sempre achamos que vamos ter tempo para tal...
O quanto deixamos passar, dessas coisas simples e banais, porque acreditamos num futuro tão incerto quanto a nossa própria existência? Será que não podemos perceber a fragilidade da nossa vida e como este controle esta fora das nossas mãos?
Será que o que fizemos até hoje, foi o que realmente queríamos ter feito? Será que fazemos hoje da nossa vida o que queremos ter como passado? E se tudo acabasse agora? O que nós fizemos? Quem nós amamos? Quem nós deixamos de amar? Aonde esta nossa atenção? Será que vamos levar daqui algo pelo que tanto nos sacrificamos?
Acho que embora vá de encontro com nosso consciente, o que tanto chamamos de vida é apenas mais um lance de dados, apenas mais um pouco do tão complexo e infinito caos que apenas o Criador compreende. Mas, afinal de contas, temos controle de que? Acredito que de nossas ações, nossas decisões e parte das conseqüências que delas resultam.
Se até mesmo a vida, que consideramos nosso bem maior, está mergulhada nesse caos, que tentemos construir algo com as oportunidades que temos, que moldemos esse caos e possamos contribuir para algo, algo maior que nossas vidas, algo mais concreto que esse joguete que pode acabar a qualquer momento. Que possamos construir algo “imortal”, e que nossos ideais e feitos se perpetuem e contagiem mais vidas, mais almas... Que imortalizemos nesse mundo carnal algo que seja tão abstrato quanto o tempo, que perpasse ele... E que estejamos em paz quando chegar nossa hora de partir, de encontrar O Criador.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"Evolução" histórica da Sociedade... Evolução?




Faz um tempo que não atualizo o blog e estava em busca de inspiração e um bom tema para começar. Vi esse final de semana um documentário muito interessante sobre a globalização, e em meio ao discurso do comentarista, ouvi algo muito interessante e comecei a refletir sobre isso.
Interessante como a “humanidade” evolui de forma tão rápida e tão repugnante em direções que (em sua maioria) tendem ao precipício. Passamos pelo Teocentrismo, que colocava Deus como o centro do universo e razão única e primordial para tudo, porém sob a perspectiva aristocrática que manipulava a fé para se perpetuar no poder. Depois passamos pelo Antropocentrismo, que colocava o Homem como centro do universo, posto como único ser inteligente a habitar o planeta, passando a avaliar o universo sob a perspectiva de relação do mesmo com o homem e vice-e-versa.
Acho que podemos afirmar que vivemos em uma nova era, onde o centro do universo passou a ser o dinheiro. Impressionante como quase tudo hoje em dia, principalmente se falando de grandes nações, tudo é convertido a análise financeira. Pessoas representam consumidores e contribuintes, não mais cidadãos. A desgraça e a miséria não passam de contas a pagar para o alto escalão de políticos que prejudicam o bem-estar de seus eleitores em busca de lucros exorbitantes para suas “quadrilhas” e para si mesmo.
O PIB (Produto Interno Bruto) de um País torna-se mais importante do que a fome que o assola. Na Europa, a quantidade de comida fabricada é fora do comum. Empresas que procuram outros ramos são beneficiadas enquanto as do ramo alimentício são multadas ou recebem sanções por produzirem produtos abundantes na continente, lamentável por serem “vizinhos” do continente africano, onde mais de 30 mil pessoas morrem por dia por consumirem água não tratada e de fome.
A própria fé tornou-se objeto de extorsão, com carnês e pagamentos mensais nas igrejas, onde as indulgências antes eram facultativas e de bom grado, e hoje tem limite mínimo para se fazer. Palácios são edificados enquanto milhões morrem de fome nas favelas ao lado.
Enfim, pessoalmente, espero viver para ver o dia em que o amor, a caridade, e o respeito serão o centro do universo. Mas acho que esta mais provável para que eu ou meus filhos vejam o derradeiro fim desse mundo ganancioso em guerras e chamas, causados pelo ódio, ganãncia e falta de compreensão do que realmente importa: a felicidade.

"O reino de Deus está dentro de você e ao seu redor, não em prédios de madeira e pedra. Corte um pedaço de madeira e lá estarei, levante uma pedra e me encontrarás." - trecho do suposto Evangelho de Cristo proibido pela Igreja Católica.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Quem sou eu?




Tentar definir a si mesmo é uma pergunta egoísta que volta nossos olhares apenas para nossos próprios umbigos e que não tem utilidade nenhuma ao ser respondida. Quem sou eu? Um nome? Matéria? Alma? Talvez a pergunta não seja quem sou eu, mas sim: Porque estou aqui, porque eu existo?

Somos porque precisamos ser. Uma das coisas que sabemos com certeza em nossas vidas é que existimos, estamos aqui... Penso, logo existo! Então definições de quem somos realmente não são importantes, o que importa não é “quem sou”, mas sim, se existo, o que faço durante a minha existência, as atitudes que eu tomo que refletirão na minha vida e na de outras pessoas, de outras existências, afinal o ser humano é um ser social, e todas as nossas atitudes acarretam conseqüências sócio-históricas.

Não tenho o controle de tudo que me acontece e nem tenho conhecimento do motivo pelo qual estou aqui, porém, sei que estou e que logo não estarei, portanto, sabemos de certo que temos um tempo limitado, não se sabe quanto, mas a morte é outra certeza. Então sei que existo, que minhas ações trarão conseqüências (não só para mim, mas para outras existências) e que tenho tempo para decidir e tomar atitudes e decisões que moldarão o percurso da minha vida e possivelmente até de outras pessoas antes de minha hora chegar.

Portanto, ao invés de perder tempo tentando definir algo complexo e ao qual temos enormes limitações para refletir, ao invés de tentar se descrever ou usar artifícios narcisistas que valorizem nosso ego ou demonstrem realidades ilusórias que escondem nossas fraquezas e vaidades, seria melhor que nos concentrássemos no que estamos fazendo com nossas vidas, a parte concreta dela, como estamos vivendo nossas existências, como estamos influenciando as vidas dos que nos rodeiam e em como estará nossa consciência quando a “indesejada da gente” chegar.

Que não edifiquemos apenas obras, mas pensamentos e atitudes, que construirão grandes monumentos, não físicos, mas morais. Que nós não apenas passemos por nossas existências, mas que as vivamos e aproveitemos e, acima de tudo, que deixemos marcas inesquecíveis na história e no coração de inúmeras outras vidas que passaram, passam ou passarão por aqui...

Quem sou eu?
Eu sou apenas um rapaz latino americano..."

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A Praga Capitalista



Estamos vivendo atualmente um período de conturbações financeiras a níveis mundiais, conturbações essas que afetam diretamente e das mais variadas formas a vida da sociedade, fazendo-se questionar a credibilidade e integridade do sistema capitalista.
O capitalismo tem como base princípios éticos questionáveis, como o egocentrismo, a competitividade, a desigualdade e o consumismo excessivo. Porém é um sistema extremamente forte, graças a sua capacidade inigualável de se enraizar de tal forma a tornar quase impossível a independência dele depois de aplicado e sendo inserido numa sociedade tão competitiva torna o desejo de superioridade quase inato.
Num grande efeito dominó, o sistema capitalista elabora políticas financeiras e sociais que fazem com que as atitudes da sociedade se tornem essencialmente consumistas, gerando uma quantidade enorme de circulação de dinheiro que geram novos investimentos em produtos e serviços, que serão adquiridos pela sociedade, como em um grande círculo vicioso, onde todos os meios de comunicação têm essencial participação com a divulgação e incentivo, e a própria sociedade fortalece esse circulo cada vez mais, com suas atitudes diárias de consumo excessivo, de cultura exarcebada a beleza, entre outras.
Além dos problemas sociais relativos à política econômica e social capitalista, o sistema é o principal inimigo da questão ambiental, pois propõe um consumismo excessivo de uma grande variedade de produtos tóxicos e/ou que vivem em constante evolução, se tornando rapidamente obsoletos, um aumento absurdo na quantidade de meios de transporte e o grande avanço industrial, na eterna busca pelo lucro.
Quem sabe nós não estamos diante do calcanhar de Aquiles do sistema capitalista? O capitalismo é movido pelo egoísmo e ganância daqueles que querem deter mais e mais poder através do dinheiro, porém para que o capitalismo continue crescendo a sociedade não pode parar de comprar, se ela para de comprar a máquina para, como numa imensa pane geral, e em uma tacada só, a queda é grande o suficiente para mostrar o poder do povo em relação ao sistema.
O real problema é sempre o mesmo, a omissão da sociedade e a submissão aos considerados “poderosos”. Não se fala mais em revolução, quase não existem mais grandes pensadores ou revolucionários. Há ainda em alguns países a esperança de uma melhora futura, através de sistemas mais direcionados ao povo, mesmo ainda visando o lucro, como no caso do socialismo de mercado da china, que se mostra cada vez mais consolidado na economia mundial.
No mundo atual o povo é maltratado e humilhado quando na realidade tem a chave dessa máquina capitalista nas mãos, e pode pará-la quando quiser, mas a falta de informação, de cultura e de atitude nos jogam numa nova “idade das trevas”, onde nada mais é produzido, a não ser dinheiro.
Encerro meus pensamentos com um pequeno trecho da música “Até Quando?” de um dos poucos pensadores que ainda restam nesse país e que muitos já tentaram calar:

“Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente”

Gabriel, O Pensador.

domingo, 20 de julho de 2008

"Homem é tudo igual"


Estou começando a me cansar dessa sociedade machista e que forma perspectivas alienadas e distorcidas de como as coisas realmente são. Não aguento mais ter que ouvir a frase mais dita pelas mulheres em todo o mundo e em diversos idiomas. As pessoas tem que evoluir e levar consigo sua cultura e seus hábitos. Nada pode ser tachado a tudo e a todos... Para tudo existe(m) sua(s) exceção(ões).

O machismo que ainda perdura por geraçoes não é fruto apenas de homens que acreditam bastar ter "o membro" para serem homens, mas também de mulheres que mantêm uma cultura de submissão e de passividade generalizando através desse tipo de expressão errônea uma situação que não é a absoluta realidade e que só serve para desvalorizar os que buscam, num mundo de tanta perversidade e promiscuidade, agir de forma correta. Desde sempre a luta feminina se formou de uma maneira sólida em busca da igualdade entre os sexos, mas isso inclui saber que, como as mulheres, os homens também são diferentes entre si. A busca pelo homem perfeito leva a falsa ilusão de que exista algum ser humano perfeito, o que trás consequentemente decepção e, mais uma vez nos deparamos com essa famosa frase de indignação feminina.

Lembremos sempre que não se trata de homens e mulheres, mas sim de seres humanos com suas fraquezas, defeitos e falhas e que em cada mente há um mundo repleto de idéias e valores totalmente diferentes, que resultam em atitudes e virtudes independentes do sexo. Sejamos contra o machismo e a favor do devido reconhecimento dos que merecem, seja qual for sua quantidade, respeito e confiança.

Enquanto houver a pureza do amor e a beleza da delicadeza sempre haverá Don Juan's.